Vida – definições I

Espero...

Numa parada de ônibus, sub uma fria garoa que não cessa, espero um ônibus que nunca chega para me levar a um lugar que não quero ir.

Quero sair dali, mas meu ponto final é mais frio que a garoa. Espero…

A chuva fica mais forte, o vento corta, o ônibus não chega.

Queria estar em outro lugar, mais quente, mais seco; mas o único caminho possível é dentro do ônibus que insiste em não chegar.

Outras pessoas esperam ali comigo, mas nenhuma dá atenção à minha angustia. Eu também não presto atenção nelas; tento escapar dali sonhando com outro lugar, qualquer outro, até mesmo no ponto final do meu ônibus que nunca chega.

Não sinto o tempo escorrer, não sei se a espera é longa ou curta, só sinto o frio e a chuva. À minha volta nada, o único caminho é o ônibus, espero…

Às vezes sinto o calor de alguém que também espera por ali, por um instante esqueço dos sonhos. Será possível sair dali sem pegar o ônibus?

Ela se afasta…

Sinto frio, meus pulmões doem e o ônibus não chega…

espero ainda

Publicado em: 18 agosto, 2009
Categorias: Crônicas
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